É lógico que eu queria estar dormindo esta hora. Amanhã tenho um dia cheio de muitas contas para pagar, exercícios para fazer, projetos para andar. Mas estou aqui em mais uma madrugada-âmbar. E escuto a Bethânia cantar o hino: tá tudo aceso, tudo tão claro, tudo ligado. Tentei ler, imprimi contos ótimos e têm também os livros recém comprados na mesa-de-cabeceira. Tentei uma oração pelos amigos, respiração transcedental, mas foi tudo inútil. O jeito foi abrir o blog.
Escrever é um saco! É tipo uma espécie de karma. A gente sempre escorrega no quiabo, fala – ou melhor, escreve mais do que deve; nunca acha solução de nada – ao contrário – se vê mais perdido do que nunca, e não ganha nenhum retorno por isso. Ou quando ganha não é lá essas coisas, como um Kaká da vida…
Fazer o quê? Nasci com essa deficiência e o único jeito de me ver curado dela é deixar tudo bem claro. O fato não é o ato em si, mas as circunstâncias da vida… vamos a ela. No final da tarde fui fazer minhas caminhadas pelo parque. Entre alongamentos, ipods e um prenúncio de temporal, passei por um batalhão de gente que ia-e-vinha atrás de um pouco de saúde. Diriji de volta para casa, fui a um rodízio de caldos, passei um pouco mal pela comilança e fiz algumas tarefas-de-casa para deixar o dia seguinte mais prumado.
Liguei o computador e li twitter uma notícia que me deixou triste. Não posso revelar a causa-efeito explicitamente, mas tem haver com a minha história e tem haver com pessoas próximas, familiares e amigos, quase todos. Me fez triste pois é uma espécie de câncer-social que atinge a todos e que para piorar a situação é algo que não deve ser falado, tocado, mas abinegado.
A notícia foi revelada por uma celebridade que depois de muitos anos de vida e de carreira resolveu se expôr. Mas e daí? O que adianta também a luz da verdade se algo não têm cura, não têm solução. Talvez cause mais sofrimento, talvez machuque mais. Talvez o melhor é deixar como está: oculto, calado, apagado. Será?