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Posts de Janeiro, 2009

High and dry

In Roncatianas on Janeiro 22, 2009 at 2:01 pm

Ao perceber que estava cercada toda de preto não teve dúvidas. Estava sim de luto. Custou cair em si, mas estava agora mergulhada na sua tristeza mais profunda: a perda.

O colchão preto, a manta, o sofá, o computador, as roupas, os móveis, o tapete na sala, a tv nova, o blog, o carro, o cachorro, o piano, o violão, os sapatos e as malas de mão. Tudo era preto, negro, obscuro. Não havia mais luminosidade, esperança, leveza. Tudo era muito denso, pesado, sabrecarregado, mortal.

Pela primeira vez percebeu seu estado depressivo. Pela primeira vez se viu incapaz de sair dele. Viveria assim para sempre? Chorou por dentro. Estava tão desgastada daquela situação de tentar se superar para no fim não dar em nada. Perdeu a fé, nos outros, na vida, em si mesma e até em Deus. Se sentia uma estrela solitária, brilhando uma luzinha fraca no meio do inifinito.

De repente sonhou com ele. Logo ele, que segundo ela foi o culpado de trazer tanto desespero lá da sua terra maldita. Ele acabara de comprar quadros, móveis, sei lá. Algum pacote branco bem grande que carregava entre os braços. Usava uma camiseta da ecko azul-marinho, uma D&G jenas - que marcava suas belas pernas, um nike-air branco, um cartier prata e um colar de metal da levis.  Sim, ela conseguiu detectar tudo isso em um flash de segundo.

Ela estava perdida na sua própria cidade. Num setor que conhecia muito bem. Estava perdida entre prédios familiares, entre parques de frequentes caminhadas. Estava perdida e não conseguia achar uma lojinha de molduras de quadros. Se viram, mas pela primeira vez sua reação não foi de medo e nem de fuga. Sorriu, se cumprimentaram, trocaram algumas palavrinhas e pediu a informação urgente.

Por incrível que pareça ou ironia do destino era justamente a que ele tinha acabado de sair, e informou pra ela seguir a direita. Se despediram. Foram em direção opostas, como sempre. Achou a tal da lojinha, pena que não dava pra colocar seus desenhos na moldura como queria.  Rodou, rodou e viu que não adiantou nada. Porque no fim quem dita as regras é mesmo a vida e se arrependeu por ter ficado perdida e andando pra lá e pra cá em vão.

Por isso voltou a sua rotina mediocre. De ficar horas inoperante. De não lutar pelo vão. Era tão sinistro ver pessoas na mesma situação fazendo um esforço tremendo por algo que simplesmente não ia acabar dando resultado nenhum no final. Voltou para o seu colchão, manta, sofá, carro, cachorro, tapete, amante, tudo preto, tudo negro, tudo pesado, tudo vazio.

E decidiu só trocar sua cor pela vermelha. Talvez quando morresse.

Satisfaction

In Citações on Janeiro 21, 2009 at 2:28 pm

“A experiência de chegar perto da morte mudou minha perspectiva sobre o trabalho. Eu não estava curtindo atuar, eu sentia como se não estivesse no controle da minha carreira. Não estava fazendo aquilo que me fazia sentir bem. Eu estava amargo, sentia que merecia mais, e não estava agradecido por todas as coisas que tinham me acontecido. Se você não se sente grato, aí é muito fácil ser um cretino. Depois que o tumor aconteceu, eu percebi que amo atuar, sempre amei, e posso nunca ter a chance de fazê-lo novamente” 

 

Em 2002, Ruffalo foi diagnosticado com um tumor cerebral e submetido a cirurgia, o que resultou em um período de paralisia facial parcial, embora o tumor encontrado fosse benigno. Ele se recuperou totalmente da paralisia e regressou à boa saúde.

 

 

 

Preciso sair da cretinice urgente. Sem tumores enfim.

I believe in miracles.

In Roncatianas on Janeiro 16, 2009 at 9:51 pm

Esse ano de 2009 promete muita água pra rolar debaixo da ponte. O ano mal começou e feitos históricos tem me surpreendido. Me deixado boqueaberto e até mais crente do que nunca.

Ontem, vendo o avião pousar em pleno rio Hudson – quem conhece NY sabe que isso foi um milagre mesmo!!! Não há outra palavra. Um homem phd em segurança aérea, a ilha de manhattan é coberta de arranha-céus, enfestada de helicópteros e muito mas muito aviões, embarcações, etc… gente, não tem outra explicação, foi a mão de Deus e ponto.

E ainda ontem depois de levar um soco no estômago e de finalmente ter vivido plenamente o “let it be ”  acho que muitas coisas surreais, sobrenaturais e miraculosas estão por vir. 

 

Se preparem pois sinais virão e quem viver verá.

O segundo semestre

In Roncatianas on Janeiro 9, 2009 at 2:57 am

Bom, esse foi mais tranquilo de todos. Depois da viagem fiquei com a síndrome do Diego Mainardi. Primeiro demos de cara com um cara que nos ficou de levar pro hotel de van em 10 min e gastou mais de 2 hrs. Bem, isso é o Brasil, o mundo de jeitinhos.

Depois fomos para um hotel em Guarulhos – tipo 4 estrelas (de)cadentes. E para piorar a situação era do lado de uma faculdade. Já era 00hrs e estava lotada de emos na porta gritando. Mas nada que um lexotan não resolva. Pedimos para trocar de quarto e no outro dia para o lugar no qual pertenço irremediavelmente…

Em Goiânia, claro, matei a saudade do meu povo. Abraços, presentes, fotos e muita mas muita história pra contar. Comparações inevitáveis e o complexo de vira-latas crescendo. Junto com ele ainda tinha algumas aulas pra frequentar. Mas nessa hora, meu amigo, eu já tinha desistido da faculdade à tempos. Porém, fui levando até o último golpe de misericórdia e ter a coragem e a certeza para abandonar o curso. Parar é sempre difícil, muito. Mas prioridades gritam e fazer o quê?

Este ffoi um semestre mais sussa. De dormir melhor, comer melhor, malhar, caminhar e sair para jantar. Vesti a camisa da herança e estou sobrevivendo. Foi um período tipo meio-férias, de parar tudo, re-pensar, desistir, persistir. Bom, a gente pelo menos tenta. Depois de uma certa crise tô certo de que fiz o melhor que pude.

Regrettes, rien.

2008 num post de segundo – parte 1

In Roncatianas on Janeiro 6, 2009 at 3:12 pm

O ano começou naquela maravilha de todo começo: cheio de coisas novas pra fazer. Faculdade nova, novo emprego, um MBA pra terminar e aquela parte chata de vida de adulto: viver com o suor do teu rosto.

O primeiro semestre, esse foi bem matemático, digamos. Tipo, dormir 2 da manhã, acordar 7, almoçar 10 ou 16, bater o ponto 12 em pto e atingir a meta x, y e z. Sempre com aquele sorriso no rosto pra não perder a mania de playmobil e claro agradar os clientes. 

No meio disso tudo ainda tinha que ler calhamaços, tcc da pós, tocar e cantar tenor, aguentar diretas e caras nada felizes por não conseguir dar conta do recado, ou melhor, lucro.

O que me sustentou foi a minha viagem planejada desde 2006, quando resolvi não fazer nenhuma formatura e ir viajar. Passaportes, vistos, muita discussão entre hospedagem, traumas de avião e o paitrocínio. Tanto insisti que mereci e assim fui para Nova York.

Deslumbrei mesmo. Achava tudo lindo, tirava foto de carros, calçadas e de velha de calcinha tocando violão na Times Square. Ri horrores e fiz a linha blasé na hora da pegada. Pensei: – Aguentei coisa muito pior e nada vai estragar os meus 15 dias de liberdade na cidade da própria. 

Quase fui pro Canadá, mas preferi gastar em NY, que nunca é demais. De quebra, fomos pra Washington, aguentamos um povo mal educado. Mas tirando isso, foi lindo e deu pra conhecer até mais do que queria. Voltamos pra cidade que nunca dorme e nunca para de comprar e esbaldamos em tanta coisa barata e de grife. 

Mas já tava com saudade de casa, de comer um bom churrasco no final de semana, sol a pino e da vida macunaímica. Embarcamos de volta pra Sampa. A primeira coisa parada na lanchonete: 1 cochinha, 1 quibe e 1 guaraná antartica, hummm… e ainda por cima, dava tempo de conferir minhas moedinhas de troco, coisa que é impossível fazer lá. 

 

Continua…